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 OS UNIVERSAIS

Traduzido do Livro “DISCÍPULOS E MESTRES, ou Os Fatores e Benefícios da Iniciação Espiritual, em espanhol. Obra de meditação para as almas sinceras, que peregrinam em busca da Verdade e estão dispostas para a autossuperação. Por OM. CHERENZI LIND, O Tibetano

 

 discipulos e mestres

 

 

A Ordem dos Veneráveis Anagarikas ou Universais aceita no seu seio aquelas pessoas que se caracterizaram por seu zelo como amantes e defensores da Verdade cósmica-ecuménica, transcendental ou universal, e que demonstraram especial interesse em seguir uma norma de realização libertadora dos encadeamentos da materialidade ao mesmo tempo em que de ânsias inesgotáveis de superação individual, a par de que sua devoção os qualificou como servidores universais e fiéis aderentes aos Princípios da Vida impessoal.

            Mas tais pessoas não são “genuínos” Anagarikas ou Universais por este só fato. Nossa Ordem de Anagarikas não concede títulos gratuitamente ne confere honras a ninguém, não importa quem seja. Quanto ao mais, os interferidos ou assim “reconhecidos” não se tornam    V. Anagarikas senão em razão e em proporção aos seus próprios esforços e em relação direta com suas conquistas superativas e enaltecedoras de Consciência.

            As conquistas, os triunfos e as realizações da Consciência são, de fato e exclusivamente, o que mede e expressa formal e implicitamente o que o indivíduo é ou se torna nos Planos superiores da Vida. Portanto, os V. Anagarikas ou Seres Universais são exclusivamente o que eles próprios se fazem. A V. Ordem de Anagarikas não faz senão reconhecê-los, além de prepará-los e inspirá-los para a condição como tais seres.

            Porém, os indivíduos aceitos na V. Ordem dos Universais não são, verdadeiramente, Anagarikas enquanto no sejam reconhecidos como tais; o fato de serem aceitos na V. Ordem não comporta senão o de uma adesão quase incondicional e de excepcionais condições para tornarem-se V. Anagarikas ou Universais.

            Daí que alguns V. Anagarikas “aceitos” -casos por fortuna fartamente excepcionais- hajam dado provas de dobrez, de fraqueza diante de seus grandes deveres morais e transcendentais responsabilidades espirituais, que seguramente não souberam medir em toda sua ingente importância, já por carência de cultura adequada, já por mera falha nos interstícios de sua personalidade onde acaso apareceu o demônio da inveja, da covardia, do temor ou da vaidade - os quatro ginetes apocalípticos que cavalgam na mente dos humanos, com efeitos bastante desastrosos para toda sua personalidade, até o próprio umbral da “Seidad” emancipada, isto é, até o momento da mais sublime realização consciente de Vida liberada e perfeita.

            Mas não por isso se deve crer que a V. Ordem de Anagarikas tem culpa disso ou deve sofrer o vexame ignominioso das faltas de alguns de seus membros que não souberam merecer dignamente a distinção que comporta o fato de haver tido acesso a seus imensos benefícios iniciáticos e ser albergado espiritualmente dentro de seus prestígios e cuidados maternais e infinitos. Os que erram prejudicam-se a si mesmos tão somente, e se procedem contraditoriamente ou com dobrez e indignidade, proporcionando assim maus exemplos para seus discípulos e outras pessoas, não é senão ao risco de suas próprias iniciativas, inconsistências e inconsciência, contra o que a V. Ordem de Anagarikas e a Academia Mundial de Universalidade fazem esforços incontáveis de ordem cultural e espiritual através das medidas iniciáticas.

            Por fortuna a V. Ordem de Anagarikas não sofreu senão muito escassas afrontas desta classe e é de consignar, também, que na maioria dos casos, os “desgarrados” regressam logo diante das consequências de suas falsas apreciações.

            Pois bem, muitos quererão saber o porquê de tais “desgarramentos”.  É fácil enunciá-lo. A natureza humana, por causas que não são o caso de explicar aqui, tem numerosos complexos, e enquanto não os reduza a nada, mediante uma acertada disciplina interior, não há possibilidade de vida impessoal nem de serviço universal nem de positiva iluminação integral do ser. Pelo contrário, como o ser humano padece de múltiplas fraquezas, como a vaidade, a inveja, o temor e a covardia, e isso em proporção ao trabalho que o indivíduo tenha que desempenhar, não é raro vê-lo fraquejar. No caso dos Anagarikas “aceitos”, é norma encomendar-lhes certos trabalhos e conferir-lhes cargos de importância, para que vão demonstrando suas qualidades e preparando-se mais ainda para a imensa responsabilidade que comporta a obra de líder e de ensinamento espiritual de que há mister o mundo para canalizá-lo até roteiros mais edificantes e de verdadeira grandeza moral, sábia e espiritual de acordo com o Plano da Vida superior e transcendental.

Os fracos não resistem às tentações ... e, então, rebelam-se decididamente, com presunções de “escravos libertados extemporaneamente”, mas quais ginetes apocalípticos que cavalgam em sua vaidade néscia, seu temor grosseiro, sua inveja falaz e sua covardia ignominiosa. Tais indivíduos, homens ou mulheres, são fracassados por desídia própria e íntima indignidade; empreenderam uma longa jornada e preferiram regressar antes de chegarem à meta de suas aspirações ...; pretenderam facer uma obra de positiva edificação pessoal e ressentiram-se diante dos embates da vida, preferindo logo se darem por vencidos ou agir como “escravos de suas paixões e vencidos por suas deficiências e fraquezas” antes que erguerem-se nobremente e seguirem os roteiros luminosos que a Iniciação lhes depara, e permanecerem fiéis aos Princípios-poderes da Comunhão Espiritual que a V. Ordem dos Universais propugna, fortalece e garante. Tais indivíduos são, em realidade, duplamente condenáveis, porquanto faltam à “confiança em si mesmos”, que tanto recomendamos,  e faltam à “confiança depositada neles por seus Superiores em realizações conscientes”.

            É compreensível, pois, que muitas pessoas e até Discípulos manifestem sua estranheza quando sabem de algumas outras que, apesar de haverem recebido a honra insigne de serem admitidos ou aceitos na V. Ordem de Anagarikas não souberam, ou não quiseram, permanecer e viver à altura de seus melhores propósitos e deveres morais e espirituais livremente contraídos. Mas, repetimo-lo, isto não é culpa da Instituição, senão de seus membros que não são capazes ou recusam mostrarem-se dignos dela. A Ordem é intangível em seus valores, inalcançável em seus fundamentos, porquanto sua essencialidade transcendental consiste em princípios e estes são invioláveis e indestrutíveis.

            Nenhum V. Anagarika genuíno sofreu jamais achaques de ilusões para chegar a cometer torpezas como as aludidas mais acima. Este só fato basta para garantir, externamente,     a incolumidade da Instituição, justificar sua grandeza e garantir a efetividade de seus poderes na função diretora da evolução espiritual humana.

            Os Discípulos devem, antes de mais nada, tratar de permanecer fiéis  aos ditados de seu coração e de sua Consciência e sempre devotos aos seus Iniciadores, e leais aos Princípios de Verdade que conseguiram realizar no curso de sua Iniciação. Não se trata de coarctar a liberdade individual de ninguém; mas tampouco é possível que os indivíduos, sejam quem forem, deixem de ser conscientes de seus deveres, dignos aristocratas da Mente pura e culta, e verdadeiros nobres do Espírito em todas as dedicações e circunstâncias da Vida.

            E diante dos incidentes puramente humanos, como os que caracterizam a fraqueza de vontade e volubilidade de caráter, devem fazer  o possível para não serem alcançados. Porém, isto sim, não se devem deixar seduzir pelos cantos de sereia dos vencidos por si mesmos, que choram derrotas por não haverem merecido ser outra coisa senão meros escravos da vida. Todos têm liberdade para romper seus laços com a Comunhão Mística, laços que eles próprios estabeleceram em momentos de feliz lucidez e de esplendorosa sinceridade de coração  e consciência; mas não se rompem esses laços impunemente, pois não se pode brincar com o sagrado nem faltar indignamente aos Princípios da Vida.  A Verdade não pode nem deve ser altar para a inveja, coroa para a covardia, dossel do temor nem presépio de vaidades.

            Assim que, façam-se fortes ante a realidade ingênita ou incidental dos demais e evitem toda sujeição infamante com a debilidade dos míopes de Consciência e raquíticos de mente ou empedernidos pobres de espírito.

            Tanto a ignorância como a hipocrisia e o egoísmo são arteiramente infamantes de per si. ¡Vós, ó Discípulos, permanecei fiéis aos Princípios transcendentais da Vida e leais aos Mestres de Sabedoria! Somente assim sabereis fortalecer-vos e converter-vos em verdadeiros Cidadãos do Universo e dignos cavalheiros do Ideal Espiritual.

            Não permitais jamais que a discórdia e a indignidade de um V. Anagarika ou de qualquer outro discípulo desgarrado, manche a pureza de vossas próprias intenções ou alcance o reduto do coração e da Consciência. Há que rechaçá-los como estranhos inconciliáveis com a beleza de nossos ideais, com a bondade de nossos propósitos e com a verdade dos Princípios iniciáticos.

            A personalidade humana costuma converter-se em voragem quando as almas se ensimesmam e assumem posturas e gestas de onigrandeza, devido às suas aspirações distorcidas    e egocentrismos vaidosos. Mas as forças cósmicas reagem logo, e as expulsam de sua afinidade, deixando-as à mercê de suas próprias inconsequências e tormentosas deprecações.